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"já estamos a criar um futuro cheio de esperança!”

REPORTAGEM 1º DIA MAGIS - 22 DE JULHO


“Um milagre a acontecer. Num mundo com tanto ódio, tantas guerras e tantas injustiças, estamos a dizer ao mundo que partilhar a vida juntos é possível.” Foi com estas palavras que o P. Provincial dos Jesuítas portugueses deu esta tarde o pontapé de saída para o MAGIS 2023. No palco da arena da Villa MAGIS, perante uma plateia repleta de cores, nacionalidades e línguas distintas, o P. Miguel Almeida partilhou a boa notícia: “Deixem-me dizer-vos: já estamos a criar um futuro cheio de esperança!”


É precisamente este o lema do MAGIS 2023 que traz a Lisboa cerca de dois mil peregrinos oriundos de 82 países e que foi preparado pelos jesuítas e pelas Escravas do Sagrado Coração de Jesus. Realizado pela primeira vez em Portugal, este evento que precede a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e é dirigido aos jovens de todo o mundo ligados à espiritualidade inaciana com idades entre os 18 e os 35 anos, arrancou ao final da tarde com a cerimónia de boas vindas e o encontro de todos os participantes para uma primeira celebração. Depois de dois anos de preparação intensiva foi, por isso, com alguma emoção que o coordenador do MAGIS dirigiu as suas primeiras palavras aos peregrinos, vendo o que disse ser um “sonho tornado realidade”. O P. Samuel Beirão agradeceu as mãos, os corações, os pensamentos, as orações e a energia de tantos que ajudaram a construir esta iniciativa que agora ganha forma e rosto, e lembrou com quem e por quem tudo isto existe: Jesus Cristo. “A vivência do MAGIS está agora na mão de cada um”, sublinhou, pedindo a todos que conversassem, partilhassem e rezassem uns com os outros, usufruindo com entusiasmo desta experiência de Igreja universal.


Já na missa de abertura do MAGIS, o P. Miguel Almeida voltou a sublinhar a importância do contacto uns com os outros e da transmissão da fé que acontece através das histórias que se vão contando. Pegando no exemplo de Maria Madalena, cuja festa hoje a Igreja celebra, o Provincial dos Jesuítas afirmou: “A fé é tecida a partir de testemunhos e histórias partilhadas de uma pessoa para outra e transmitidas de geração em geração. Estamos aqui hoje porque Maria Madalena, há 2000 anos, teve a coragem de correr e contar aos outros apóstolos a história mais inimaginável e inacreditável da humanidade: Aquele Jesus, que viram morrer, está vivo! E adivinhem: eles acreditaram e contaram a outros, e outros contaram a outros... até que chegasse a nós.” Contudo, explicou na sua homilia, aquela experiência de Maria Madalena começou por um momento de profunda desolação, pois partiu de um túmulo vazio. E são muitos os sinais de vazio que podemos encontrar no mundo e dentro de nós próprios, lembrou, dando como exemplos a guerra, a injustiça, a pobreza, o egoísmo, uma economia que mata, a perda de alguém que se ama, um sonho que se desmorona ou um relacionamento que termina. (leia aqui a homilia na íntegra)


Desafiando os participantes a refletirem sobre as suas próprias vivências de desolação e, a partir delas, a tentarem escutar a voz do Ressuscitado, o P. Miguel sublinhou os frutos deste encontro pessoal com Cristo: “Quem verdadeiramente encontra Jesus sente a necessidade de O levar aos outros. Se a alegria do MAGIS e da Jornada Mundial da Juventude não me estimular a apresentar Jesus aos outros na minha vida diária, então não será a alegria do encontro com Jesus, não será o verdadeiro consolo espiritual, como Santo Inácio nos ensina. Será apenas uma alegria superficial e psicológica. Tal alegria não seria necessariamente má, mas seria muito empobrecida!”



Outro momento alto do dia vivido a partir do palco da MAGIS arena foi a divulgação de uma mensagem enviada pelo Papa Francisco a todos os participantes e que foi lida e projetada em várias línguas. Desafiando-os a “tornarem-se realmente naquilo que são: ‘um futuro cheio de esperança”, o Santo Padre afirmou que, “para isso (os jovens) precisam de ser, não super-heróis, mas pessoas sinceras, verdadeiras, livres; pessoas que trazem por dentro de si um futuro cheio de esperança: esperança de preparar um clima social e humano mais digno do que o atual, esperança de viver num mundo mais fraterno, mais justo e pacífico, mais sincero, mais à medida do homem.” Juntamente com estes votos e apelos, o Papa Francisco exprimiu ainda “viva gratidão aos promotores, animadores, oradores e ouvintes, que tornam realidade esta edição MAGIS 2023, e confia-os à terna solicitude da Virgem Mãe pedindo-Lhe que os contagie com aquela bendita ‘pressa’ de servir que A levou até junto da prima Isabel fazendo-lhe saltar de alegria o filho no seio quando este pressentiu a chegada de Jesus.”



Peregrinos continuam a chegar


Durante todo o dia os peregrinos foram chegando à Villa MAGIS, acusando no rosto o entusiasmo mas também o cansaço e, nalguns casos, a longa distância percorrida de casa até aqui. À entrada do número 28 do Colégio S. João de Brito, jovens de todas as idades foram recebidos por voluntários sorridentes e disponíveis junto de quem fizeram o check in e receberam as informações essenciais para os próximos dias. Dos 80 países inscritos, 60 já estão na Villa MAGIS, contando-se para já 1214 jovens peregrinos e 150 jesuítas. Muitos estão ainda para chegar, e o check-in só será dado por terminado no domingo à noite.

Após um breve reconhecimento e logo após o almoço, foi a vez de as várias delegações conhecerem um pouco da cultura portuguesa através da atuação de dois grupos tradicionais que vieram até à Villa MAGIS: o Grupo Folclórico das Adufeiras de Idanha-a-Nova e o Rancho Folclórico da Casa do Minho em Lisboa. Depois de interpretarem algumas danças, chamaram outros para cantar, dançar e aprender alguns passos e canções típicas destas regiões de Portugal.

Ao início da tarde, os peregrinos tiveram tempo para explorar livremente todos os espaços do Colégio S. João de Brito que foi transformado num lugar onde é possível sentir um verdadeiro espírito de comunidade e alegria. Na Villa MAGIS há espaço para descansar, conversar, tomar as refeições, praticar desporto, confessar ou ter uma conversa espiritual, e até uns insufláveis com água que ajudam a refrescar.

Depois do jantar, os peregrinos voltaram a reunir-se junto ao palco da Villa MAGIS, para o espectáculo de abertura, que contou com um espetáculo de música, dança, teatro, pintura e até fogo de artifício. O hino do MAGIS foi interpretado no palco pelo P. Duarte Rosado e pelo P. Miguel Pedro Melo. O dia terminou com o exame de consciência guiado pelo P. Immel.




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