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É agora!

Terminou, no dia 27 de janeiro, a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Panamá. O Papa Francisco chegou no dia 23 e, desde esse dia, até à Eucaristia de encerramento, visitou e confessou alguns jovens do Centro de Cumplimiento de Menores Las Garzas de Pacora, celebrou a Via Sacra na zona costeira da Cidade do Panamá, com cerca de 400.000 pessoas, almoçou com um grupo no Seminário Maior San José e rezou numa vigília no Campo S. João Paulo II. Foi aí que, no dia seguinte pela manhã, presidiu à Eucaristia, que contou com a presença de mais de 700.000 pessoas. Teve ainda tempo para, antes da sua partida, visitar um centro de doentes de VIH/SIDA e os voluntários da JMJ.


A mensagem do Papa Francisco na homilia dirigia-se a todos os que enfrentam os desafiantes anos da juventude. Um tempo de busca de um lugar no mundo, em que tantas vezes se escuta que se é muito novo ou que não se está preparado. Mas, pelo contrário, o Papa lembra que essa é a idade do agora, o tempo de decidir os primeiros passos em direção ao futuro. Um caminho que não se faz sozinho, mas rodeado de família, amigos, educadores e outros adultos.


A entrada na juventude e a proximidade da idade adulta é um dos períodos mais excitantes da vida. O tempo de definir a identidade e os valores pessoais, de novas experiências e da criação de novas relações. O tempo de pôr em prática os conhecimentos adquiridos ao longo de tantos anos. Talvez também o momento de trazer à memória tudo o que se aprendeu fora do contexto das aulas: nas conversas com os avós, nos conselhos num corredor da escola, no exemplo dado por alguém mais velho.


Alguns olham para esta fase da vida como sendo uma época sem visão, individualista e só preocupada com o tempo presente. Isso é um engano; trata-se do tempo para crescer em maturidade e liberdade, em que se tomam as primeiras decisões que podem ter realmente implicações para o futuro, embora, simultaneamente, ainda se procure por orientação de outros, mais velhos e mais sábios. Além do que aprendem na escola, os jovens absorvem o mundo à sua volta, na tentativa de construir o seu mundo de valores. Aprendem pelo exemplo, e por isso os adultos devem estar conscientes desta sua responsabilidade.


O contexto em que as novas gerações crescem tem uma influência decisiva no modo como definem conceitos, como se relacionam com os demais e como fazem as suas escolhas. Afinal, escolher bem é um enorme desafio para todas as gerações, e mais ainda para quem prepara a entrada na vida adulta. Com os olhos postos nos pais, familiares, professores, nos mais velhos em geral, os jovens confiam em quem veem para aprender a escolher o melhor entre dois bens.

Os jovens esperam por respostas rápidas a perguntas que pedem respostas demoradas, fruto de reflexão e ponderação, longe de serem superficiais. A influência das respostas imediatas dadas precipitadamente ou procuradas sem critério nas redes sociais pode levar a que se chame verdade ao que realmente não o é ou a procurar a verdade nos lugares errados.

Todo o ser humano busca o bem e tende a viver a sua vida corretamente, e quanto mais busca o bem, mais as suas ações levam a uma forma de vida consistente. Isto não quer dizer que, às vezes, não se atue erradamente, por ignorância, enganados por conceções equivocadas da realidade. Nunca as coisas mudaram tão rapidamente como agora, num mundo globalizado e de tão fácil acesso aos meios de comunicação. Neste contexto, os jovens esperam por respostas rápidas a perguntas que pedem respostas demoradas, fruto de reflexão e ponderação, longe de serem superficiais. A influência das respostas imediatas dadas precipitadamente ou procuradas sem critério nas redes sociais pode levar a que se chame verdade ao que realmente não o é ou a procurar a verdade nos lugares errados.

Viver no mundo real é parte do crescimento humano e é aí que a nossa consciência tem um papel ativo. Uma consciência bem treinada é aquela que sabe lidar e agir perante as situações reais, porque aprendeu a julgar adequadamente o verdadeiro significado das normas e valores aprendidos.

A capacidade de tomar decisões reflete o modo como se foi educado durante as primeiras etapas da vida, quando guiados pelos pais e outros adultos. Um jovem que não cresceu num clima de confiança e verdade pode tornar-se um adulto de personalidade frágil. Se, por outro lado, foi educado num clima com valores corretos, mesmo ante situações difíceis e de dúvida, a voz interior da consciência sabe dizer por onde seguir. E assim se vai construindo o caminho da autonomia e da responsabilidade pelas consequências das suas ações, de distinguir o bom do aparentemente bom. O caminho para ser bom é um processo dinâmico de discernimento crítico sobre a realidade, de acordo com o contexto em que se vive, para chegar a ser livre. Claro que é muito mais exigente educar para o discernimento do que oferecer uma série fechada de regras a seguir e que não se podem violar. A formação da consciência é um processo que dura a vida toda e que é, ao mesmo tempo, um caminho interior e de atenção ao mundo em redor.


Ser jovem, disse o Papa na homilia de encerramento da JMJ, não é “sinónimo de sala de espera de quem aguarda o turno da sua hora em que os adultos inventam um futuro higienicamente bem embalado e sem consequências, bem construído e garantido com tudo bem assegurado. Não queremos oferecer aos jovens um futuro de laboratório”. Viver no mundo real é parte do crescimento humano e é aí que a nossa consciência tem um papel ativo. Uma consciência bem treinada é aquela que sabe lidar e agir perante as situações reais, porque aprendeu a julgar adequadamente o verdadeiro significado das normas e valores aprendidos.


Assim, pouco a pouco, aqueles que nos ajudaram a construir os alicerces da nossa vida ética, vão-se afastando e acompanhando à distância os nossos passos. À distância, porque ainda não é o tempo para os adultos deixarem de acompanhar as vidas dos mais jovens. Mas são os jovens quem vai, no presente, construindo o agora: o próprio e o do mundo em que vivem.

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